terça-feira, 28 de setembro de 2010

Poema Acorda Marias, Clarices Joanas...

Quem é você, que não lhe reconheço mais?! Mulher, menina, feminina ou nada de mais?!

Sonhos envolvidos entre dúvidas e incertezas, entre razão e emoção, entre você e o outro, entre você e todos.
Adormecida em suas canções de ninar, embalada entre os seus modos de amar, expectativas e doação, ah! Mulher, menina, repleta de ilusão.

Mãe, esposa, amiga, amante, companheira, parceira, confidente do outro, de todos, menos de si mesma.
Renúncias e abandono, encontros e desencontros, desejos ocultos e inseguros, silêncio noturno e obscuro.
Vivendo seus labirintos interiores, perdendo-se e achando-se por muitas vezes, fênix destemida e ressurgida todos os dias em sua vida.

Rainha, princesa, serva e escrava, entrelaçada em contos de fadas, desvendados em sua rotina e em seu cotidiano que ela mesma abomina.

Tem o amor como seu maior conselheiro, o medo seu algoz escoteiro, a dúvida sua grande amiga, a omissão sua juíza escondida, o desejo seu amante insaciável, a fé sua fiel companheira e o não saber, seu mestre cativeiro.

Em cada fibra do seu peito, pulsa a frase mais ardente que incendeia todas as curvas do seu corpo: és mulher, amante, delirante, linda e deves ser livre a todo instante. Liberta-te!
Amarrada as correntes do costume, flagelada nos troncos da acomodação, perdida nos seus passos atrofiados pela angustia de não saber a direção.

Ah! Mulher, menina, feminina, que geme e domina, que luta por seu espaço, mesmo quando é limitado, que chora, que vibra, que ora, que é sagrada e profana, que é Amélia, Joana, Clarice, Maria, Regina e todas as outras, que clamam por um resgate, uma salvação, que se defrontam no espelho e nele se rasgam em apelo, que sobe no abismo e que junto com seu grito, o eco ressoa em tom de melodia e libertação: Acorda Mariaaa, Clarice, Joana...


Angel Marques

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